quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

.: EnJoy the Silence.:

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Silenciem os relógios.
um instante de silêncio por cada um de nós...
Por tudo que fizemos sem dever.
Por tantos desenganos,
por cada chance que deixamos passar ...

Simplesmente passar.
Silêncio!
Por cada arrependimento...
por chorarmos tanto quando devíamos ser fortes ... apenas ser fortes.
silêncio por tudo que deixamos de fazer.
[por tudo que eu nunca te disse]
por tudo que nunca vou dizer.
por tudo que nos permitimos esquecer.

[ainda que tão dolorosamente]




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"Te vejo errando e isso não é pecado,

Exceto quando faz outra pessoa sangrar

Te vejo sonhando e isso dá medo

Perdido num mundo que não dá pra entrar

Você acha que eu sou louca,mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo antes que isso aqui vire uma tragédia...

E não adianta nem me procurar em outros timbres, outros risos...

Eu estava aqui o tempo todo só você não viu.

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem

Dessa vez eu já vesti minha armadura.

E mesmo que nada funcione,eu estarei de pé, de queixo erguido.

E não adianta nem me procurar em outros timbres,outros risos.

Eu estava aqui o tempo todo só você não viu...

Só por hoje não quero mais te ver.

Só por hoje não vou tomar minha dose de você

Cansei de chorar feridas que não se fecham, não securam.

E essa abstinência uma hora vai passar..."

*

[Você passa por mim em silêncio...e eu ainda escuto o barulho que a gente fez...]



*


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

::ErrôNeA ::

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No início pensava que me protegia de ti.

Pensava que eu, à sua semelhança, nunca saberias preencher-te.

Detestava quando me olhavas nos olhos e me dizias que estava a mentir.

Que te mentia sempre que te dizias que não me pertencia.

Detesta quando não podia te ferir com palavras, porque já as conhecias bem demais.

Detestava saber que estava à tua mercê e que apenas tu não o reconhecia.

Odiava sobretudo saber que poderia amar-te mais do que estava disposto.

E agora, entrego-te...despida de passados e futuros que não te pertencem.

A ti concedia a nudez do presente e era a ti que lhe pedias que me guardasse em suas mãos e a levasse contigo.

Venda os olhos se fores capaz e reconhece-me.Porque nossos corpos transcendem vontades e desejos...e trocam todas as palavras no silêncio.

Vem que a suas eternidades podem ser hoje e não mais.

Vem beber das minhas mãos a entrega que negou.

Não me ame sem que eu te peça.



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"Não dá pé não tem pé nem cabeça

não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça


não tem jeito mesmo
não tem dó no peito


não tem nem talvez ter feito
o que você me fez desapareça


cresça e desapareça


Não tem dó no peito

não tem jeito

não tem ninguém que mereça


não tem coração que esqueça

não tem pé não tem cabeça

não dá pé não é direito

não foi nada, eu não fiz nada disso

e você fez um bicho de sete cabeças...."




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["Não tem jeito mesmo
não tem dó no peito
não tem nem talvez ter feito..."]


*

.:. Silênciosa Lisergia .:.


Saiu a caminhar...como se em cada passo quisesse deixar muita coisa para tras.
Sentia os grãos de areia sob os seus pés.
Havia a leveza do mar...e o encanto do céu estrelado na sua cabeça.

Haviam as pessoas...havia a fogueira e o som das notas...melodias e batucadas.
E cores.
Pessoas que a amavam...pessoas que se amavam.
Energia.Sim...boas energias.

Mas nos seus passos...precisou seguir só...como se quisesse abstrair cada pedaço do que chamariam de dor.
O mundo abriu-se a sua frente.
E mostrou o quanto pessoas ainda podem ser incrédulas e banais.
Queria ficar só.
E não queria mais fogueira,estrelas,amigos,mar,passos,promessas,lembranças...

Voltou pra casa em passos largos.Queria correr....correr...
Não queria olhar pra nada a não ser o seu chão
(e onde estaria ele?)

Deitou-se encolhida...abraçou-se...
( como se assim o espaço para a dor fosse diminuir).
Não queria pensar.Não queria existir.
Não queria aquela mão gigante apertando o peito.

As pernas tremiam...e a cabeça não parava.
Havia conversas,mas havia a ausência de palavras.
Pessoas lá fora.
Sentia frio.E ainda havia a fogueira.





Ouviu passos .
(Fechou os olhos como se ninguém pudesse vê-la.)
E permaneceu estática.

Ele aproximou-se.Sentiu seus cabelos sendo acariciado.
A lágrima caiu.Ele a cobriu com um cobertor com cheiro de lavanda.
Sentou-se ao seu lado.
Segurou sua mão e beijou-lhe a testa.

Disse-lhe que ela não precisava falar nada,se não quisesse.
Passou as pernas dele por cima das suas pernas trêmulas.
Acolheu-a no seu colo,aparando as lágrimas.
Sussurrou uma canção em seus ouvidos...e ali...silenciosamente...em seus braços a fez adormecer.


É...tens razão...a busca pela felicidade justifica a existência...





[Obrigada por vc ser você]



*

domingo, 20 de dezembro de 2009

"Tire o seu sorriso do caminho...

...que eu quero passar com a minha dor."
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" When you ain't got nothing, you got nothing to loose .
You're invisible now, you've got not secret to conceal..."
-Bob Dylan-






[E disse a mim mesma "estou bem"

E mostrei o meu sorriso habitual.

Eu não me senti em desespero

Mas em mais um tipo de desafio...]



*


.: Desdizendo :.

(agora o oposto do que eu disse antes)
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" E eu me sinto uma imbecil.
Repetindo, repetindo, repetindo...
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos....

Cutucando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida.
E é pra não ter recaída, Que não me deixo esquecer:
Que é uma pena,mas vc não vale a pena.
Não vale uma fisgada dessa dor...

-Maria Rita-





[E eu ainda peco...
pelas minhas faltas e pelos meus excessos.]
*

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

.: ControVersa.:

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Um dia eu disse-o.
Eu sei, ainda me lembro bem, as palavras pronunciadas em tom de certeza.
Tom alto e bom som.
Certezas Deus meu...
(como se alguém tivesse alguma certeza, de alguma coisa?)
Hoje tudo soa tão distante.
O que eu sinto é a placidez de um lago com vida.
Mas sem nada mais do que isso, e o que eu queria é que tudo seguisse como se nada se perdesse...como se o tempo não nos arrancasse bocados...como se a alma não se ressentisse do frio dos dias.
Disse, é verdade!Disse-o porque sentia ou porque queira sentir.
Fiquei quando a alma corria a todo custo na direção oposta.
E o que me restou foi o fim da linha, foi te escutar desesperadamente no fim dos capítulos...pedindo ao mundo quando a fome te matava com migalhas e agonizava mesas fartas de tudo.
Acordei um dia e não soube o que fiz do tempo que passou entre o sonho e a solidão.
Hoje digo apenas que já não importa tudo o que te disse.
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“Eu sei que atrás desse universo de aparências, das diferenças (tão semelhanças) todas a esperança é preservada, nas xícaras sujas de ontem...o café de cada manha é servido.Mas existe uma palavra que eu não suporto ouvir e dela não me conformo.
Eu quase acredito em tudo ,mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas.
Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas....
Amo o teu jogo triste. As tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo. Eu amo a tua alegria mesmo fora de si, eu te amo pela tua essência, até pelo que você poderia ter sido se a maré das circunstâncias não tivesse te banhado nas aguas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo quando sozinha bordo mais uma toalha de fim-de-semana.Eu te amo pelas crianças e futuras rugas eu te amo pelas tuas ilusões perdidas e teus sonhos inúteis, amo o teu sistema de vida e morte, te amo pelas tuas entradas saídas e bandeiras...
Eu te amo desde os teus pés ate ao que te escapa.Te amo de alma para alma... e mais que as palavras ainda que seja através delas que eu me defendo quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis quando o próprio amor vacila...”



[E o fim é sempre incerto.
Assim como os meus começos e recomeços...]
*

.: BanQueTe :.


Sentei à mesa uma outra vez.
Tomamos os nossos lugares e ajeitamos as cadeiras.
Colocamos os guardanapos no colo e enchemos mais uma vez as taças com uma safra qualquer. Esperemos um pouco mais...acendemos as velas para que a nossa encenação de felicidade seja mais perfeita.
(Não sei porque precisamos de fingir intimismo e intimidade.)
Vais levar o copo aos lábios para não provares os meus e eu vou escolher o lugar mais afastado do teu para não encostares a tua cabeça no meu ombro.
Vamos trocar palavras circunstanciais e levantarei para retocar a maquiagem e carregar no batom e não te beijarei porque, como te disse, não queres que fiques manchado.
Tu, por sua vez, vai sorrir e fingi agradecer a minha preocupação.
Vamos reger o nosso silêncio sob a batuta dos talheres a bater nos pratos e temperá-lo com os comentários educados sobre o requinte da comida.
Recusaremos ser servidos, alegando estar satisfeitos e as travessas continuarão dispostas sobre a mesa onde nos sentávamos.
Assim está o meu amor, onde acabo por me recusar aos poucos e a escassez dos afetos vai sendo cada vez mais gritante.
(Hoje nem as migalhas tenho para oferecer...porque agora sempre insisto em sacudir a toalha.)
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[E só pra não esquecer:
Quando fores embora
Leva os discos,
os sapatos,
a velha máquina de escrever,
e dá um jeito de caber na mala
todo o amor que não me deste.]
*

sábado, 12 de dezembro de 2009

.:. Pra não dizer que não falei das flores...

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"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade...
Há tanta suavidade em nada se dizer E tudo se entender
- Tudo metade De sentir e de ver...
Não digas nada.
Deixa esquecer...
Talvez que amanhã
Em outra paisagem Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz.
Não digas nada. "


- Fernando Pessoa -
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..
"Não vale uma fisgada dessa dor..."
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[Shhhh...prefiro o meu silêncio...!
Cansei de ter razão,agora só busco minha Paz.
Favor não bata a porta ao sair e apague a Luz.]
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

.:. Dama da Noite .:.


"Como se eu estivesse por fora do movimento da vida.
A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros.
(A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diante nessa roda-gigante.)
Você tem um passe para a roda-gigante, uma senha, um código, sei lá.
Você fala qualquer coisa tipo bá, por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros.
Mas eu fico sempre do lado de fora. Aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo?
(...)
...mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro.
(...)
Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Dá minha jaqueta, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto.
Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada..."



- C.F.A. -



[Sentir um abraço forte já não era medo...era uma coisa sua que ficou em mim...]
*

terça-feira, 24 de novembro de 2009

.:.(Sobre)Vôos.:.




O que ele mais apreciava nela era essa maneira dela ser sempre assim tão livre.
Gostava de ter sua pequena borboleta ao seu alcance e deixavasse inebriar pelas suas histórias que trazia de outros céus.
Dizia que o seu encanto vinha dessa sua vontade de querer abraçar o mundo e tomar num gole só.
Tantas vezes apreciava seus vôos e o azuis das suas asas...E com um sorriso na palma das suas mãos,lhe acolhia quando o mundo lhe dizia não.

Ria dela e com ela dos seus despropósitos e suas tentativas desajeitadas de querer sempre dar mais do que se tem. De acreditar no que lhe dizem, de ver possibilidades num simples olhar e achar que as pessoas são muito mais do que se mostram.

E riam. Ria das suas aventuranças,dos seus porquês e tapas na cara.Ria do seu jeito hábil de levantar após cada queda.

Dizia-lhe gostar do seu cheiro,do seu sabor e do seu suor. E que ver aqueles sobrevôos da pequena borboleta, era como ter sempre à sua janela um céu fim de tarde como um dia de primavera.Pois ela lhe dava cores. Ela trazia a vida em si.

E lhe pediu a mão.

Ele quis ver de perto esse mundo que ela explorava com olhos de criança e pés nas nuvens. Queria desfrutar a coragem de ter coragem e saber pousar nas flores.Compreender a magia de não se perder no infinito desse mundo que tanto a encantava.

Agora, parece que as cores que cobriam o seu céu parece incomodar de tal forma... que o menininho tentar aprisionar a pequena borboleta.Aperta as suas asas... manchando aquele azul bonito que antes lhe fazia brilhar os olhos.
Ainda quer suas cores,mas não mais as suas asas.

Concentra-se nas coisas que não podem ser ditas e no silêncio que se faz necessário.
Acredita que poderias dar-lhe uma redoma e limitar a dimensão do seus astros e desenhar-lhe constelações...

E a pequena borboleta queria pôr nas suas asas e mostrar-lhe as estrelas do seu céu.Mas ele não sabia que para se voar era necessário está livre de pensamentos.Está livres de passados e apenas abrir os braços para receber o vento no rosto...a brisa do incerto e a beleza do talvez.

(Pobre menino...ele também não sabe que para se ter uma borboleta,também é necessário cuidar do seu jardim...)





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["Trata-se apenas de preservar o azul das tuas asas".
Repetindo...repetindo...assim para mim...
Presevar o azul das tuas asas...]
*

Antes que acabe o ano...

SINTA-SE BEM OU REVIRE TUDO!

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["As vezes me preservo...outras suicido..."]

*

terça-feira, 17 de novembro de 2009

.:. Pelo Engarrafamento .:.

"Pelo engarrafamento eu vejo o mundo
Cheio de pessoas e sinais.
Muitos não enxergo.
Se atropelam
São lançados contra o muro...
Outros sentem sede... bebem e Atropelam muito mais...
(...)
Fecho os olhos sinto
As paredes do meu quarto.
Sinto seu compasso,
Sinto sua respiração.
Não diga que fui eu que voei...
Não diga que fui eu que voei..."
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[Enquanto ela chorava por ter perdido o carro,
conheceu alguém que não tinha pés...]
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.:. EsTraDaS .:.


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No ontem, no hoje.
Passava um bom tempo pensando em você.
...Imaginando um mundo inteiro que nos unia e nos separava.
E pensava nas estradas e nos caminhos...na infinidade dos quilometros que a gente cruzava...nas ruas e casas...e rostos e passos...
Pensava nas reticências que nos separavam, nos medos que nos unia...
Pensava no que seus olhos vêem quando não estavas por perto.
Ah...e me lembro do seu rosto quando ficava preocupado, quando sorria.
Pensava naquele segundo qndo eu ouvia a porta do teu quarto abrir...e vc me abraçava com força.
Na dor de cada despedida e como vc sempre me pedia para que eu me guardasse e te esperasse.
Numa ligação no meio da noite e com a voz sonolenta falava "quero vc aqui..."
No tempo em q olhávamos o calendário para saber quanto tempo faltava...onde o + 1 era sempre - 1 para nossos olhares se tocarem.
Na sala de desembarque qndo a gente corria,jogava as malas no chão e se abraçava a rodar....a rodar...onde nada mais importasse.
Pensava no seu rosto quando você ficava me olhando e quando nenhuma palavra se fazia necessária....
Pensava no segundo que antecedia o beijo.
Hoje apenas penso nos seus olhos rasos e na saudade que eu sentia do teu abraço.
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[E se eu te conhecesse hoje...será que eu te amaria?]
*

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

.:. + novo de novo .:.


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Abre as mãos.
Larga as amarras dos que não te pertencem, mantém-te são, estável, inabalável. Apaga as memorias que já não são tuas.
Não sorrias e não chores.
Não sejas quem querias ser, não sejas quem os outros gostariam que fosses, não sejas quem és.
Não sejas ninguém.
Volta-te de mãos vazias e, principalmente, cheio de espaço entre os braços.

Volta-te como ser novo, vazio das coisas sem importância, vazio de histórias, de memórias, vazio de fantasmas.
Volta-te como pessoa indefinida, sem conceitos, sem opiniões formadas.

Vais ter espaço entre as mãos para agarrares todas as oportunidade, ter lugar no meio dos braços para fortes abraços, espaço para aprender, espaço para amar.

Vais ter espaço para te criares, ao meu lado, como se fosse sempre a primeira vez. Vais ser tu, sem barreiras, aventureiro e livre. Vais saber escolher o melhor caminho, a melhor companhia.
Vais ser teu e, vais saber dar o melhor de ti. Porque em ti não há nada do que foste, nada do que te fizeram ser.
De ti, agora, existe um vazio pronto para preencher, um vazio pronto para recomeçar.
Constrói-te, do zero, como se fosse a primeira vez.

(Re)Ergue-te e, começa de novo.
E se quiseres me abraçar,bastarás olhar para o lado.

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["E se você puder me olhar
Se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar...

Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele
Eu vou cuidar do seu jardim...

Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim ..."]

*

.:. Bengalas .:.

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Julguei, erradamente, que as palavras eram bengalas.
Que só eram úteis para quem não conhece os seus passos, para quem tropeça em mentiras, para quem não sabe onde está nem para onde vai.
Julguei que éramos certos, que tínhamos passos firmes...
Que usávamos bengalas só com os outros.
Julguei que éramos desprovidos de artifícios.

Que era nua a tua alma perante a minha. Que era nua a minha alma em frente a tua.

Julguei que nos sustentaríamos, sem bengalas. Que eram fortes as tuas pernas e certos os meus passos.
Não me seguiste, não te vi à minha frente nunca. De mãos dadas,
lado a lado. Sem bengalas. Sem palavras.
Não sei distinguir o momento exato em que fraquejamos.
Senti balançar-te ao meu lado.
Houve um barulho ensurdecedor, num daqueles momentos em que as coisas acontecem em camera lenta, como nos filmes, vi-te cair, despropositadamente, ao meu lado.

Não sei onde nos perdermos, sei que não foi ali, nem naquele momento...

A tua mão já não pedia a minha, a minha já não se estendia para a tua. Não havia ação espontânea que nos ligasse.
Acabou-se a sintonia, a melodia ritmada por uma coisa qualquer que não precisamos nunca de cantar.
E na tua queda, que se prolongou por demasiado tempo, num lugar que não me recordo agora, perderam-se os passos certos.
Os caminhos...sem indicações.
Deixei-te lá, a cair continuamente, sem pedir ajuda, porque não usamos palavras,
não tínhamos bengalas a segurar o nosso amor.

Disseram-me que há grandes amores que acabam assim, quando deixa de haver magia. Que se afastam sem saberem, que quando caiem já nada mais há para reerguer.

Quando voltei, com os passos pouco certos, muito apressados, trazia uma bengala na mão para me amparar.

Já não era eu, agora despida de artifícios...Já não era pura a minha alma
.
E não me importei de te estender a mão quando me pediste, não me importei de não ser espontâneo o meu ato, nem me importei de ser em desespero o teu pedido...
Quando me sentei ao teu lado para discutir os próximos passos, não fiquei triste por já não ser indiscutível o nosso caminho, por não ser certo e sem mapa.
Quando nos reerguemos, de bengalas em punho, não me importei de precisar de ajuda, não me importei de te falar disso.
Quando todos os passos que se seguiram foram dados de mapa na mão, não fiquei triste por não saber o caminho de cor.

Eu sei que não foi bonito, que não é digno
de uma historia de embalar, sei que não vão falar de nós no futuro, e que as meninas não vão sonhar em ser eu.
Quando te vi cair, não cai contigo. E sempre achei que não saberia seguir este caminho sem ti, mas sei.

Há qualquer coisa em mim, pouco mágica, que me faz conter as lágrimas e continuar
...


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[Caminhávamos certos em caminhos contrários]


*

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

.: Branco .:.



Perdi-me num branco sem fim.


No branco de uma folha de papel.


Escondida no branco dum envelope, dobrado. Perdido no branco duns lençóis amarrotados.

Entre o branco de quatro paredes, com ouvidos e vozes. (Pilares do branco do teto, do branco dum céu... Sem estrelas nem sonhos.)
Perdi-me num branco.
De bom. E de mau.
De beijos e bofetadas.
Pancadas psicológicas que fazem sangrar.
Dum vermelho de vida. Ou de morte.
Perdi-me no branco duns olhos baços.
Baços e mortos. Mortos e frios...
De uma apatia contagiante. De uma apatia sufocante.
Perdi-me num branco sem fim.
Como uma mão branca e fria, que me tapa os olhos, todas as noites.
O branco de uma mão. Pequena e gelada.

Logo a mim... Logo eu...
Que me tinha habituado a umas mãos grandes. E quentes. E quentes. E quentes...
Perdi-me no branco de um labirinto.
Feito de muralhas cor de nada. Rodeadas dum branco espalhado em flores.
Cobertas do branco dum orvalho matinal.
Perdi-me. Como aquele dia que perdi-me da tua mão. Do teu quente. Do teu corpo, feito de reflexos brilhantes e coloridos em noites escuras.
Perdi-me num sonho. Mais um.Branco. Apagado.
Pelo branco de uma borracha que apaga sonhos, em segundos.
Que apaga sorrisos.
Com motivos e vontades.
Perdi-me num branco sem fim.
Um branco que consome.
Que engole vida e a cospe logo a seguir, sem ligar importância...
Perdi-me.
Branca. Fria.
Num nada qualquer.
Logo eu... Logo a mim... Que só queria perder-me em ti.



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[Ele chegou lá e a abraçou.
O carro não serveria mais pra quase nada.
Faltou chão,mas Ele segurou-a pela mão.
Só queria chegar logo em casa.
O corpo todo doía...mas foi meter-se debaixo do chuveiro,
onde as lágrimas se misturavam com a água bem quente que não parava mais de correr.]
"Há um segundo, tudo estava em Paz"
*

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

.:. Laços e Nós[dois] .:.

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Mas eu não podia...ou podia mas não devia...
Ou podia,mas não queria.
Ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás...
(...)
Eu tinha que continuar.




"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas…

Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Quando te falo da idade, quando te falo do tempo, e não tivemos tempo – queria te falar de Cronos, Saturno, da volta pelo Zodíaco quando se completa 30 anos.

A tua estrela é muito clara, tem sinais bons na tua testa. Compreendo teu Plutão e a Lua encarcerados na casa XII – as emoções e paixões aprisionadas -, e também Urano, todo o impulso bloqueado. Na mesma casa, a do Karma, a dos espíritos que mais sofrem, tenho também o Sol, Mercúrio e Netuno.

Somos muito parecidos, de jeitos inteiramente diferentes: somos espantosamente parecidos. E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura. Perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis, desajeitadas, de segurar a maçã no escuro. Me queira bem.
Estou te querendo muito bem neste minuto.

Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas. Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração . Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.


Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo."

(Fragmentos de C.F.A.)










Quão estranhos nós éramos...

Acreditando que o NADA que tínhamos,

Era TUDO que podíamos ter...

[E pra ele...eu disse SIM...]

*


.:.POr não estarem mais distraídos...

.

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos,
a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta:
eles respiravam de antemão o ar que estava à frente,
e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras
– e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles.
Então a grande dança dos erros.
O cerimonial das palavras desacertadas.
Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira,
ela que, estava ali, no entanto.
No entanto ele que estava ali.
Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas,
e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso.
Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos.
Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham.
Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
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[Por te falar, eu te assustarei e te perderei?
Mas se eu não falasse eu me perderei, e por me perder... eu te perderia...]
*

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tudo de novo



[Mas nada de novo]


Aquele peito contido num vazio tão conhecido

O silêncio torto,reticências mudas
dos meus versos inacabados.

Lágrima que se mistura no trago do meu cigarro
num olhar agora atravessado.

Impressão minha ou dormíamos de mãos dadas?
Você estava ali,não estava?

De nós restou apenas essa coragem covarde
De seres demasiadamente humanos.

Mas porque não ouviu meus pensamentos enquanto eu dizia:
"Vai...vai que eu vou atras sem largar tua mão..."

Há tanta ansiedade no tempo de esperas.
A esperança parecia tão precisa,de repente,escorreu entre os dedos...

É como querer aprisionar o vácuo.
O tempo dita as regras e a vida precisa seguir seu curso.
Tudo o que invadiu a retina e o coração causaram efeitos.
Não sairamos inteiros.
Não há como!

Há um tudo certo e nada combinado com sensação de eternidade.
É tão delicado andar sobre linhas finas,quando se insiste em brincar de equilibrista.



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["Como um refrão de bolero,eu fui sincero como não se pode ser..."]
*

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

.:. Con[Junções] .:.

.


Aqui, do meu terceiro andar sobre o infinito,


à janela para o começo das estrelas,


sinto saudades até do que não foi nada...




["Te pego sorrindo num pensamento...
Faz graça de onde fiz meu achego, meu alento.
E nem ligo...
Como pode, no silêncio, tudo se explicar?"]
*