domingo, 28 de março de 2010

.:. Efeito EstAfa .:.


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Não satisfeita em ser totalmente arranhada por dentro, como um muro velho cheio de rêbocos e emendos,ainda assim, mantinha uma estranha mania de se pintar por fora:
Desenhos imperecíveis na parte externa do corpo que falavam de uma época.Cada qual com o seu significado...cores e razões.



E quantos aos arranhões que,uma vez estando internamente, ficavam protegidos de agentes externos, que,possivelmente iriam causar mais dor e agonia, agora apareciam a olho nu.

Vez ou outra, ela insiste em se arranhar.
Ela mesma. Numa metáfora simples:esperava suas unhas estarem grandes o suficiente para causar o estrago previamente super calculado, e o fazia.
O fazia como quem sabe o que está fazendo, como quem se machuca sabendo que o faz e, pior, porque o faz.
Como se ela fosse auto-destrutiva.
Era a única resposta.

Como se primeiro fosse arranhar um braço.Depois o outro.
O rosto.
Não, não, o rosto não!
Agora não.
As lágrimas vão fazer arder mais ainda.
(Precisa sofrer mais para poder aguentar essa ardência.)

Agora tem que ser as pernas. Aí, sim, vai para o rosto. Porque aí, não vai restar mais nada:
tudo já vai estar arranhado, sem chance de sobrar algum lugar limpo, sem
dor, sem marcas.

E, só assim, eu vou saber que está tudo acabado. Porque, quando já não se sabe para onde ir ou se deve ir ou ficar, ou que se fazer, é chegado o fim.
Não é assim que te ensinam?
Pelo menos foi assim que me ensinaram.
E foi a única coisa que aprendi.
Simples assim:
como dois mais dois são quatro.

Ela repetia em tom ameaçador, enquanto fazia o que tinha que ser feito:
- Não se perca de si mesma.

E assim, ia seguindo.
Era só o tempo das feridas criarem casquinhas, aí ela vinha e fazia tudo denovo.

Ciclo vicioso.

Passou muito tempo da vida fazendo e refazendo isso, até que um dia, parou de se arranhar, mas continuava repetindo a mesma frase de sempre:
- Não se perca de si mesma.

(Tinha se perdido dela mesma; pelo menos por enquanto. )





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[" Há algo que jamais se esclareceu :
onde foi exatamente que larguei naquele dia mesmo o leão
que sempre cavalguei...?"]

*


sábado, 27 de março de 2010

.:.Dezenove de março.:.

(de dois mil e alguns)

"Às vezes me lembro dele, sem rancor, sem saudade, sem tristeza.
Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou.(?)

Nunca mais o vi, depois que fui embora daquela cidade.
Nunca mais te escrevi...
Não havia mesmo o que dizer, ou havia?Sim,sim...eu sei que havia.
Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas! É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas.
É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir.
Fingir que encontra.
Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo."

C.F.A.
[E mais uma vez dormiu se perguntando:
E se eu te conhecesse agora,será que eu te amaria?]
*








quarta-feira, 3 de março de 2010

.:.Home Alone .:.

“Aquela antiga boa sensação de... estar onde ninguém pode alcançá-lo...”


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Morar sozinho é observar a fruteira vazia. É enganar a si mesmo na hora de acordar (só mais 15 minutos, só mais meia hora, só mais uma horinha). É dormir e acreditar que tem mais gente em casa. É receber uma ligação da síndica,por que mais uma vez esqueceu de pôr o carro pra dentro. Morar sozinho é duro. Estranha arte, a de morar sozinho. Arte dos adiamentos eternos e das conversas com a geladeira (as vezes também vazia).

É, no meio do dia, sentir vontade de telefonar para si mesmo. Morar sozinho é foda, mas é legal.
Morar sozinho é esquecer uma panela de Miojo no fogão. É saber o endereço dos fantasmas.Abrir uma lata de atum às duas e meia da madrugada.

Assim é morar sozinho: acordar, lavar o rosto, escovar os dentes, tomar dois telynois, sair para o mundo,estar sozinho no mundo e esperar encontrar a primeira pessoa que vc irá ver e dar Bom dia.
Quando em casa, fingir que não tem ninguém. A campainha quebrada há mais de nove meses. O sono diante da TV ligada, um copo d´água pela metade, um cordão de sapato feito cobra no tapete. Uma cama em desalinho. A TV ligada (e o filme continua dentro da cabeça).

Morar sozinho é ler o jornal, de manhã, com profunda desatenção. É voltar no meio da noite e não encontrar ninguém em casa. É pedir uma pizza inexistente e uma Coca “normal” de 600.É saber decorado os telefones dos deliverys.
Morar sozinho é sentir falta do amigo imaginário da infância (que hoje deve estar casado e com três filhos, futebol aos sábados, restaurante aos domingos). É viver, todo dia, as últimas cenas de 2009.É deixar a casa dos pais onde vc tinha tudo nas mãos,para aprender a ser uma criança com contas de gente grande à pagar.E ainda assim, correr pros braços deles quando algo os aflinge e ser recebida com braços abertos,colos acolhedores e sorrisos largos.

Morar sozinho é perder o sono por coisas idiotas.É ter medo quando falta luz e superar sozinha o medo de trovões.É ver a semana passar e esperar a Sexta Sem-Lei do Amicis.Uma solidão cercada de Paz por todos os lados. É esperar o fim de semana, o vento leve e o silêncio respeitoso das manhãs de domingo.
É atender a um telefone do pai às 7 e meia da matina.

Morar sozinho é dar nome aos objetos, nome e sobrenome.
É ter problemas com as crianças que insistem em fazer barulho na janela. É ter uma coleção de miniaturas e uma infinidade de livros não-lidos.
É tomar banho ouvindo Bach. Morar sozinho é exercitar a loucura de nascer todos os dias no tempo. É caminhar entre os meses como quem chuta pedras no chão. É legal, mas é foda.

E a campainha – a campainha continua quebrada.


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[Não é nada não mãezinha.
É que as vezes me dá uma saudade de tudo...da senhora...do papai
e do tempo em que viver era apenas um dia após o outro.]
*

* Longe,é um lugar que não existe... *


"Estamos no mesmo barco,
sob a mesma Lua.
No mar,
em marte,
em qualquer parte...
Estaremos sempre sob a mesma Lua..."
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A menina espera...mesmo quando o relógio teima em passar devagar.
Ela sabe que a cidade vai se colorir aos poucos. E seu coração pode bater levemente.
Porque seus pés pisarão as mesmas calçadas,seus cabelos serão balançados pelo mesmo vento.
E a dor da ausência se fará ausente enfim.

A menina espera, porque tem saudade sem fim.
Do seu cheiro, sua voz, seus braços, beijos e presença.
E das borboletas que fazem os medos irem embora aos poucos.

A menina olha o relógio. Seus ponteiros nunca pareceram andar tão devagar.
E cada movimentar nunca lhe pareceu tão macio.
É o tempo que passa.
E faz ficar cada vez mais perto dela o dia.
O dia de fechar os olhos e perceber que a espera findou-se.
E que enfim, o menino não existirá mais somente dentro dela.
Mas estará ao seu lado...
Sem meias palavras. Nem saudade. Nem distância. Nem nada.
Só o sentimento e a vontade.

E o menino a beijar sua flor.


.


[Cada pétala daquelas rosas vermelhas,parecem ter vindo com sua presença...

o seu cheiro...o seu toque...seu cuidado...sua atenção.

Por isso te gosto.

Te quero.

Te espero.]

*

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

:: Infinitas! ::

Como dizia Einsten,Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana!

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- Por que você ta com essa cara,minha menina?
- Porque querem me obrigar a dizer A.
- E por que não queres dizer A?
- Porque assim que eu tiver dito A, vão me obrigar a dizer B…

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"Aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes
para despertar a suavidade alheia, e mesmo assim insisto.”

C.F.A



[Horário comercial.
Vampiros.
Pessoas que tentam sugar minhas boas energias.
Meu sangue é doce...mas meus anticorpos habitam em meus poros...]
*

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

:: Prato de flores ::




Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum.
E de repente me sentia protegida, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido...
Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa.



Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos...

(...)

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração.

Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível"

Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu o olhava.

(...)

A vida seguirá no seu tempo, na distância, na poeira soprando.
Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, quando cansada tenho vontade de deleitar em seus braços.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor.

Curvo a cabeça, agradecida.
E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir medo.



C.F.A.







[Faz de conta que ela não estava chorando por dentro.
Pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado.

...É só esta vontade quase simples de estender os braços para tocar você.]
*

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mais uma vez:

...Darei ouvido a voz rouca do meu coração.







Olhando pra foto,me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade do mundo e dificuldade em ser permanente...





[E que me bateu um arrependimento de
ter sido sensata e ter voltado para essa cidade...]
*

.:. [Oh]Linda's! .:.





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Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara.
Havia a dor, mas aquela coisa daquela hora que a gente estava sentindo - e eu nem sei se era alegria- também não usava máscara.
Então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara.Ainda mais no Carnaval.


Caio Fernando Abreu






"Se as semelhanças aproximam,senti muito orgulho de ser quem eu sou."




[Há momentos em que Deus nos tira um pé, para que possamos ver
quantas mãos têm a nossa espera...]
*

:: Das esperas ::



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"Sinto que vale a pena esperar por você
e sentir meu peito acordar pra te ver
Sorrindo... chegando... invadindo...
Chamando meio sem querer, querendo...
Só eu sei o quanto estou feliz.


Foi por um triz que o destino me deu
Seu olho paralisado no meu
É só ficar do seu lado
Que o mundo melhora ...


(...)
Meu caminho em cada linha da sua mão
Pra você entreguei esse meu coração
Meu carinho só tinha de ser pra você
Valeu a pena esperar...
Por você."
David Duarte
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[No fim destes dias encontrar você que me sorri,
que me abre os braços, que me abençoa
e passa a mão na minha cara marcada,
na minha cabeça confusa,
que me olha nos olhos e me permite mergulhar
no fundo quente da curva do teu ombro.
Mergulho no cheiro que não defino,
você me embala dentro dos seus braços
e você me beija
e você me aperta
e você me aquieta repetindo que vai ficar tudo bem,
tudo, tudo bem...]
*

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

:: Quarta de Cinzas ::


Olhava as ladeiras por inteira, a cidade ainda em cores,mas agora em silêncio.Havia um arrepio a correr-me por dentro.Ainda era verão, mas naquele dia resolveu nascer menos brilhante.

O meu coração veio a flutuar desde lá de baixo, quando me deixei ancorar na margem daquele rio que pecorre toda a cidade. Atravessou o Cais, deu uma volta pelo Quatro Cantos, para, finalmente, aterrar em você.

Sinto-me anestesiada e em frenezi.Como que em solidariedade, até me parece confortar.

Consome-me já uma saudade melancólica da sua imagem que existiu à minha volta, como a falta que se sente de alguém que se sabe que se pode perder na distancia, mesmo ainda não o tendo, de fato, perdido e ainda o tendo nos braços.

Acordei desta sensação solitária com a mão dele a apertar a minha. Já quase o esquecia ao meu lado, não fosse um calor protetor e invisível - aos olhos - ter-me sempre aconchegado, desde o início da caminhada.

Olhei para o lado e o vi sempre ali ao alcance de minhas mãos e preenchendo o vazio com coisas novas e concretas.De repente, no caminho de volta,ri como se nada de demasiado grave houvesse no mundo e nunca, ainda, lhe tivessem feito mal, nem receasse poderem vir a calar-lhe esse riso.

Eu fico a olhá-lo e admira-lo .E sinto-me preenchida por tudo que vem dele.
E fomos, então, duas almas encontradas a pairar no meio da praça,na beira do rio,com encontro marcado entre milhões de pessoas,cobertos de vontades e descobertas... que riam alheias aos olhares e aos cochichos.

Quando o abracei para ir embora, a minha angústia pareciam lágrimas de um sentimento gigante a cair-me dos olhos.
E é assim que deixamos acalmar o riso, para descansarmos no ombro um do outro.

Não sei quanto tempo passou, nem se foi sonho ou fantasia, mas quando desfizemos esse abraço, fui embora sem olhar pra tras e só via um rosto que me acalma e me fortalece.
Mas, ao concentrar-me melhor, constato que basta eu fechar meus olhos que ele continuou a morar no fundo deles.

Quando soltei a sua mão, não sorri-me o último suspiro prolongado deste nossos dias.Mas eu sei que, aqui, a distância nunca será nada para o que une as almas.

Olhei a cidade inteira, agora com um sorriso mais descontraído, porque, lembro-me, a minha casa é onde está o meu coração.Pensava coisas bobas... sentada na janela do ônibus, encostando a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e pensava demais em você...

Sei que era necessário recomeçar a caminhar, não sei bem para que direção,mas apenas levando uma das minhas duas moradas ao meu lado, para sentir você segurando a minha mão e dominando meus pensamentos...

(...)


Qualquer coisa que chamam de impossível...fez-me acreditar.
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["Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o mês,
não são muitos, pensarás com alívio.
Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis
e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho."
C.F.A.]


*

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

:: Convicta ::





Te escrevo agora como quem cospe um chiclete já sem gosto.
Palavras que saem duras e sem qualquer possibilidade de fazer bolas coloridas, daquelas que quando estouram grudam nos lábios e mesmo com todo esforço sempre fica um pouco.

Nada resta em meus lábios, só meu maxilar que dói ao tentar mastigar uma última vez as palavras que te cuspo.
Tentativa inútil de encontrar no mais escondido da minha boca algo que lembre o doce de antes.

Inútilmente e indiferente, cuspo na sua cara tão diferente daquela cara que fechava os olhos quando eu lia coisas macias e coloridas.

E inutilmente calo, porque mesmo que fossem bolas coloridas você não as veria. Não mais.



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[Agora há uma ausência que dói bem menos que uma presença cortante.]
*

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

:: "Afasta de mim esse Cale-se...!"


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Ela tinha escrito muitas linhas para dizer que descobriu o quanto ele era hipócrita,incrédulo e banal...Mas lembrou-se do quanto que ele é hipócrita,incrédulo e banal e decretou o fim das reticências.

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Ela adormece.
Passarão dias, meses e anos.
Sararão as feridas.
Passará o gosto de fel na boca.
Cessarão as incertezas.

E assim

Curam-se os choros.
Curam-se os gritos.
Curam-se as indiginações.

Morre o se importar.
Morre o se preocupar.

Libertam-se o coração, a alma e a mente.
Ela, enfim, é dela mesma.
Está livre.

Ponto final

.


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"I'm screaming at the top of my voice,
Give me reason, but don't give me choice."



[E todas as pessoas que eu já me esqueci,
parecem agora ter a sua cara.]

*

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

*~. Mas ainda é verão... .~*



No começo eu quis falar...

Queria mostrar alguma coisa, qualquer coisa, uma coisa que demonstrasse que eu queria alguma resposta, mesmo não sabendo o que perguntar...

Depois de algum tempo, de um tempo em que só ele falou, comecei a compreender algumas coisas, e então não senti mais vontade nenhuma de perguntar qualquer coisa que fosse...


Eu só queria conhecer mais sobre aquela pessoa que me parece tão gritante...


E é isso que a gente continuou fazendo enquanto caminhávamos, e naquele abraço de despedida no elevador,eu senti que não queria mais perguntar nada, e muito menos entender, só queria estar ali, se possível, com alguma frequência...


E que bom que eu quis conhecer um pouco mais...



As coisas e as pessoas só são em totalidade quando não existe perguntas...
(ou pelo menos quando essas perguntas não são feitas).


.




*
*




"Se eu peco é na vontade
de ter um amor de verdade.
Pois é que assim em ti, eu me atirei
e fui te encontrar
pra ver que eu me enganei...

Depois de ter vivido o óbvio utópico,
te beijar, e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural...
Eu fui pra aí te ver, te dizer:

Deixa ser, como será!
Quando a gente se encontrar
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar...
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar...

De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã.
Fui saber tão longe,
mesmo você viu antes de mim...
(...)

Deixa ser como será!
Tudo posto em seu lugar
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.

Deixa ser, como será!
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés..."



[Olhou pela centésima vez o celular.
Mas lembrou que é preciso está destraida para ele que ele toque...]
*

sábado, 30 de janeiro de 2010

.: Das buscas .:


Mais uma vez assistindo "CLOSER - Perto demais". E veio a lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz:
"Nenhuma pessoa é lugar de repouso".
Volta e meia este verso persegue a sua cabeça, e ele caiu como uma luva para a história que ela sozinha assistia deitada em seu tapete...acompanhada da dúvida se ligaria ou não para ele.
A história em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida.
É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a lhe oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar.
Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que ela vê tudo isso e sente um gosto amargo na boca.

Com o tempo, se tornou uma pessoa madura.Tenta aprender a lidar com as perdas e já não tem tantas ilusões. Sabe que não irá encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as suas expectativas afetivas,intelectuais e sexuais.E os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida.
Que bom, que maravilha, então deveria sofrer menos, não?
O problema é que ela não é tão madura a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda a dói trocar o romantismo pelo ceticismo.Ainda guarda resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente com ela, seduzindo-a com propostas tipo "leve dois, pague um".
Também lhe parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme sua histeria e a faça interromper as buscas.

Não é pela ansiedade que ela mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café...
Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso...
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[Tim-tim!
Um brinde a mim.
Aos tombom e as diversas formas de seguir me frente!]
*

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Caminhando...

...Para se fazer o caminho.
.

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"Hoje quero crer que não foi mesmo em vão.
Escolho,
solitude* a solidão.

Foi bom te ter.. mas uma vez ,
Saber te abandonar...

Quem feriu meu coração fui eu,
mas ninguem..."




[ * É o estar só...sozinho por opção.]

*

.:. Indescritível * .:.

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Lancei-me ao acaso...

...E desde então, ele tem sido o responsável por ter feito o "talvez" tornar tudo bem mais interessante.


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["Um brinde ao destino.
Será que o meu signo tem a ver com o seu...? "]



*

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

. Pontos .

(finais versus interrogações)

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Ao chegar ao portão, ele pediu desculpa por tudo. Desculpa por ama-la. Por toda a intimidade e por não deixa-la seguir sozinha,como ele escolheu.
Mas para ela,tudo que existia se esvaiu...
Talvez eles tenham ido completamente junto com o nó da garganta e as lágrimas que desmoronaram assim que ela rodou a chave.
Não quis fazê-lo na sua frente para que não pensasse nada ou achasse que quisesse manipular a situação.

.



(...)

- Você não se importa com tantos sonhos impossíveis?
- Você não se importa de ser tão amargo?
- Eu perguntei primeiro!
-Isso não é um jogo.
-Você sempre foge.
-Assim como você. A diferença é que eu sonho.E não, não me importo com impossibilidades.
- Eu me importo.
- Eu sei, você se importa com tudo.
- Isso não é verdade. Eu não me importo com você.
-Você é quem pensa.
-Eu acho que você acha demais.
-Vê?
- Você se importa sempre de ter razão.Eu só queria saber porque diabos isso significa tanto pra você.
- É por isso que eu não me importo com o fato de sonhar impossibilidades.
- Me perdoa?
- Não.
- Por que?
- Primeiro preciso perdoar a mim mesma. Ninguém erra sozinha.
- Mas quem errou fui eu. Me desculpa?
- Eu que errei quando segurei a sua mão mais uma vez.


(..) e virou-se.

.

.

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[Lado a lado, o ar sujo da cidade percorreu o interior dos dois corpos distintos. E se libertou.]

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

.: Versos e (re)versos.:

Deita-se no tapete e encosta a cabeça na almofada.
Apanha um cigarro e o traga longamente...solta a fumaça de um jeito sei lá o quê...
(já não sabe se é sopro ou suspiro...)





[Agora tornou-se necessário muitas chuvas,muitas Luas,

muitas janelas,muitos sóis para ir e voltar.

Isso é o que eu chamo de tempo.

Entende?

Não...você não entende.]


*

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

"Te negar bem no último instante....

...queria ter uma bomba...um flit paralisante qualquer.
Pra poder te negar bem no último instante...
Meu mundo que você não vê.
Meu sonho que você não crê..."









["Lave bem as suas mãos antes de se decidir...
E tire essas lamas das botas antes de me dar as costas..."]
*

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

.: EnJoy the Silence.:

.


Silenciem os relógios.
um instante de silêncio por cada um de nós...
Por tudo que fizemos sem dever.
Por tantos desenganos,
por cada chance que deixamos passar ...

Simplesmente passar.
Silêncio!
Por cada arrependimento...
por chorarmos tanto quando devíamos ser fortes ... apenas ser fortes.
silêncio por tudo que deixamos de fazer.
[por tudo que eu nunca te disse]
por tudo que nunca vou dizer.
por tudo que nos permitimos esquecer.

[ainda que tão dolorosamente]




.



"Te vejo errando e isso não é pecado,

Exceto quando faz outra pessoa sangrar

Te vejo sonhando e isso dá medo

Perdido num mundo que não dá pra entrar

Você acha que eu sou louca,mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo antes que isso aqui vire uma tragédia...

E não adianta nem me procurar em outros timbres, outros risos...

Eu estava aqui o tempo todo só você não viu.

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem

Dessa vez eu já vesti minha armadura.

E mesmo que nada funcione,eu estarei de pé, de queixo erguido.

E não adianta nem me procurar em outros timbres,outros risos.

Eu estava aqui o tempo todo só você não viu...

Só por hoje não quero mais te ver.

Só por hoje não vou tomar minha dose de você

Cansei de chorar feridas que não se fecham, não securam.

E essa abstinência uma hora vai passar..."

*

[Você passa por mim em silêncio...e eu ainda escuto o barulho que a gente fez...]



*