sábado, 12 de dezembro de 2009

.:. Pra não dizer que não falei das flores...

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"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade...
Há tanta suavidade em nada se dizer E tudo se entender
- Tudo metade De sentir e de ver...
Não digas nada.
Deixa esquecer...
Talvez que amanhã
Em outra paisagem Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz.
Não digas nada. "


- Fernando Pessoa -
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..
"Não vale uma fisgada dessa dor..."
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[Shhhh...prefiro o meu silêncio...!
Cansei de ter razão,agora só busco minha Paz.
Favor não bata a porta ao sair e apague a Luz.]
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

.:. Dama da Noite .:.


"Como se eu estivesse por fora do movimento da vida.
A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros.
(A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diante nessa roda-gigante.)
Você tem um passe para a roda-gigante, uma senha, um código, sei lá.
Você fala qualquer coisa tipo bá, por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros.
Mas eu fico sempre do lado de fora. Aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo?
(...)
...mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro.
(...)
Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Dá minha jaqueta, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto.
Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada..."



- C.F.A. -



[Sentir um abraço forte já não era medo...era uma coisa sua que ficou em mim...]
*

terça-feira, 24 de novembro de 2009

.:.(Sobre)Vôos.:.




O que ele mais apreciava nela era essa maneira dela ser sempre assim tão livre.
Gostava de ter sua pequena borboleta ao seu alcance e deixavasse inebriar pelas suas histórias que trazia de outros céus.
Dizia que o seu encanto vinha dessa sua vontade de querer abraçar o mundo e tomar num gole só.
Tantas vezes apreciava seus vôos e o azuis das suas asas...E com um sorriso na palma das suas mãos,lhe acolhia quando o mundo lhe dizia não.

Ria dela e com ela dos seus despropósitos e suas tentativas desajeitadas de querer sempre dar mais do que se tem. De acreditar no que lhe dizem, de ver possibilidades num simples olhar e achar que as pessoas são muito mais do que se mostram.

E riam. Ria das suas aventuranças,dos seus porquês e tapas na cara.Ria do seu jeito hábil de levantar após cada queda.

Dizia-lhe gostar do seu cheiro,do seu sabor e do seu suor. E que ver aqueles sobrevôos da pequena borboleta, era como ter sempre à sua janela um céu fim de tarde como um dia de primavera.Pois ela lhe dava cores. Ela trazia a vida em si.

E lhe pediu a mão.

Ele quis ver de perto esse mundo que ela explorava com olhos de criança e pés nas nuvens. Queria desfrutar a coragem de ter coragem e saber pousar nas flores.Compreender a magia de não se perder no infinito desse mundo que tanto a encantava.

Agora, parece que as cores que cobriam o seu céu parece incomodar de tal forma... que o menininho tentar aprisionar a pequena borboleta.Aperta as suas asas... manchando aquele azul bonito que antes lhe fazia brilhar os olhos.
Ainda quer suas cores,mas não mais as suas asas.

Concentra-se nas coisas que não podem ser ditas e no silêncio que se faz necessário.
Acredita que poderias dar-lhe uma redoma e limitar a dimensão do seus astros e desenhar-lhe constelações...

E a pequena borboleta queria pôr nas suas asas e mostrar-lhe as estrelas do seu céu.Mas ele não sabia que para se voar era necessário está livre de pensamentos.Está livres de passados e apenas abrir os braços para receber o vento no rosto...a brisa do incerto e a beleza do talvez.

(Pobre menino...ele também não sabe que para se ter uma borboleta,também é necessário cuidar do seu jardim...)





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["Trata-se apenas de preservar o azul das tuas asas".
Repetindo...repetindo...assim para mim...
Presevar o azul das tuas asas...]
*

Antes que acabe o ano...

SINTA-SE BEM OU REVIRE TUDO!

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["As vezes me preservo...outras suicido..."]

*

terça-feira, 17 de novembro de 2009

.:. Pelo Engarrafamento .:.

"Pelo engarrafamento eu vejo o mundo
Cheio de pessoas e sinais.
Muitos não enxergo.
Se atropelam
São lançados contra o muro...
Outros sentem sede... bebem e Atropelam muito mais...
(...)
Fecho os olhos sinto
As paredes do meu quarto.
Sinto seu compasso,
Sinto sua respiração.
Não diga que fui eu que voei...
Não diga que fui eu que voei..."
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[Enquanto ela chorava por ter perdido o carro,
conheceu alguém que não tinha pés...]
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.:. EsTraDaS .:.


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No ontem, no hoje.
Passava um bom tempo pensando em você.
...Imaginando um mundo inteiro que nos unia e nos separava.
E pensava nas estradas e nos caminhos...na infinidade dos quilometros que a gente cruzava...nas ruas e casas...e rostos e passos...
Pensava nas reticências que nos separavam, nos medos que nos unia...
Pensava no que seus olhos vêem quando não estavas por perto.
Ah...e me lembro do seu rosto quando ficava preocupado, quando sorria.
Pensava naquele segundo qndo eu ouvia a porta do teu quarto abrir...e vc me abraçava com força.
Na dor de cada despedida e como vc sempre me pedia para que eu me guardasse e te esperasse.
Numa ligação no meio da noite e com a voz sonolenta falava "quero vc aqui..."
No tempo em q olhávamos o calendário para saber quanto tempo faltava...onde o + 1 era sempre - 1 para nossos olhares se tocarem.
Na sala de desembarque qndo a gente corria,jogava as malas no chão e se abraçava a rodar....a rodar...onde nada mais importasse.
Pensava no seu rosto quando você ficava me olhando e quando nenhuma palavra se fazia necessária....
Pensava no segundo que antecedia o beijo.
Hoje apenas penso nos seus olhos rasos e na saudade que eu sentia do teu abraço.
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[E se eu te conhecesse hoje...será que eu te amaria?]
*

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

.:. + novo de novo .:.


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Abre as mãos.
Larga as amarras dos que não te pertencem, mantém-te são, estável, inabalável. Apaga as memorias que já não são tuas.
Não sorrias e não chores.
Não sejas quem querias ser, não sejas quem os outros gostariam que fosses, não sejas quem és.
Não sejas ninguém.
Volta-te de mãos vazias e, principalmente, cheio de espaço entre os braços.

Volta-te como ser novo, vazio das coisas sem importância, vazio de histórias, de memórias, vazio de fantasmas.
Volta-te como pessoa indefinida, sem conceitos, sem opiniões formadas.

Vais ter espaço entre as mãos para agarrares todas as oportunidade, ter lugar no meio dos braços para fortes abraços, espaço para aprender, espaço para amar.

Vais ter espaço para te criares, ao meu lado, como se fosse sempre a primeira vez. Vais ser tu, sem barreiras, aventureiro e livre. Vais saber escolher o melhor caminho, a melhor companhia.
Vais ser teu e, vais saber dar o melhor de ti. Porque em ti não há nada do que foste, nada do que te fizeram ser.
De ti, agora, existe um vazio pronto para preencher, um vazio pronto para recomeçar.
Constrói-te, do zero, como se fosse a primeira vez.

(Re)Ergue-te e, começa de novo.
E se quiseres me abraçar,bastarás olhar para o lado.

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["E se você puder me olhar
Se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar...

Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele
Eu vou cuidar do seu jardim...

Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim ..."]

*

.:. Bengalas .:.

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Julguei, erradamente, que as palavras eram bengalas.
Que só eram úteis para quem não conhece os seus passos, para quem tropeça em mentiras, para quem não sabe onde está nem para onde vai.
Julguei que éramos certos, que tínhamos passos firmes...
Que usávamos bengalas só com os outros.
Julguei que éramos desprovidos de artifícios.

Que era nua a tua alma perante a minha. Que era nua a minha alma em frente a tua.

Julguei que nos sustentaríamos, sem bengalas. Que eram fortes as tuas pernas e certos os meus passos.
Não me seguiste, não te vi à minha frente nunca. De mãos dadas,
lado a lado. Sem bengalas. Sem palavras.
Não sei distinguir o momento exato em que fraquejamos.
Senti balançar-te ao meu lado.
Houve um barulho ensurdecedor, num daqueles momentos em que as coisas acontecem em camera lenta, como nos filmes, vi-te cair, despropositadamente, ao meu lado.

Não sei onde nos perdermos, sei que não foi ali, nem naquele momento...

A tua mão já não pedia a minha, a minha já não se estendia para a tua. Não havia ação espontânea que nos ligasse.
Acabou-se a sintonia, a melodia ritmada por uma coisa qualquer que não precisamos nunca de cantar.
E na tua queda, que se prolongou por demasiado tempo, num lugar que não me recordo agora, perderam-se os passos certos.
Os caminhos...sem indicações.
Deixei-te lá, a cair continuamente, sem pedir ajuda, porque não usamos palavras,
não tínhamos bengalas a segurar o nosso amor.

Disseram-me que há grandes amores que acabam assim, quando deixa de haver magia. Que se afastam sem saberem, que quando caiem já nada mais há para reerguer.

Quando voltei, com os passos pouco certos, muito apressados, trazia uma bengala na mão para me amparar.

Já não era eu, agora despida de artifícios...Já não era pura a minha alma
.
E não me importei de te estender a mão quando me pediste, não me importei de não ser espontâneo o meu ato, nem me importei de ser em desespero o teu pedido...
Quando me sentei ao teu lado para discutir os próximos passos, não fiquei triste por já não ser indiscutível o nosso caminho, por não ser certo e sem mapa.
Quando nos reerguemos, de bengalas em punho, não me importei de precisar de ajuda, não me importei de te falar disso.
Quando todos os passos que se seguiram foram dados de mapa na mão, não fiquei triste por não saber o caminho de cor.

Eu sei que não foi bonito, que não é digno
de uma historia de embalar, sei que não vão falar de nós no futuro, e que as meninas não vão sonhar em ser eu.
Quando te vi cair, não cai contigo. E sempre achei que não saberia seguir este caminho sem ti, mas sei.

Há qualquer coisa em mim, pouco mágica, que me faz conter as lágrimas e continuar
...


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[Caminhávamos certos em caminhos contrários]


*

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

.: Branco .:.



Perdi-me num branco sem fim.


No branco de uma folha de papel.


Escondida no branco dum envelope, dobrado. Perdido no branco duns lençóis amarrotados.

Entre o branco de quatro paredes, com ouvidos e vozes. (Pilares do branco do teto, do branco dum céu... Sem estrelas nem sonhos.)
Perdi-me num branco.
De bom. E de mau.
De beijos e bofetadas.
Pancadas psicológicas que fazem sangrar.
Dum vermelho de vida. Ou de morte.
Perdi-me no branco duns olhos baços.
Baços e mortos. Mortos e frios...
De uma apatia contagiante. De uma apatia sufocante.
Perdi-me num branco sem fim.
Como uma mão branca e fria, que me tapa os olhos, todas as noites.
O branco de uma mão. Pequena e gelada.

Logo a mim... Logo eu...
Que me tinha habituado a umas mãos grandes. E quentes. E quentes. E quentes...
Perdi-me no branco de um labirinto.
Feito de muralhas cor de nada. Rodeadas dum branco espalhado em flores.
Cobertas do branco dum orvalho matinal.
Perdi-me. Como aquele dia que perdi-me da tua mão. Do teu quente. Do teu corpo, feito de reflexos brilhantes e coloridos em noites escuras.
Perdi-me num sonho. Mais um.Branco. Apagado.
Pelo branco de uma borracha que apaga sonhos, em segundos.
Que apaga sorrisos.
Com motivos e vontades.
Perdi-me num branco sem fim.
Um branco que consome.
Que engole vida e a cospe logo a seguir, sem ligar importância...
Perdi-me.
Branca. Fria.
Num nada qualquer.
Logo eu... Logo a mim... Que só queria perder-me em ti.



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[Ele chegou lá e a abraçou.
O carro não serveria mais pra quase nada.
Faltou chão,mas Ele segurou-a pela mão.
Só queria chegar logo em casa.
O corpo todo doía...mas foi meter-se debaixo do chuveiro,
onde as lágrimas se misturavam com a água bem quente que não parava mais de correr.]
"Há um segundo, tudo estava em Paz"
*

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

.:. Laços e Nós[dois] .:.

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Mas eu não podia...ou podia mas não devia...
Ou podia,mas não queria.
Ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás...
(...)
Eu tinha que continuar.




"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas…

Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Quando te falo da idade, quando te falo do tempo, e não tivemos tempo – queria te falar de Cronos, Saturno, da volta pelo Zodíaco quando se completa 30 anos.

A tua estrela é muito clara, tem sinais bons na tua testa. Compreendo teu Plutão e a Lua encarcerados na casa XII – as emoções e paixões aprisionadas -, e também Urano, todo o impulso bloqueado. Na mesma casa, a do Karma, a dos espíritos que mais sofrem, tenho também o Sol, Mercúrio e Netuno.

Somos muito parecidos, de jeitos inteiramente diferentes: somos espantosamente parecidos. E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura. Perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis, desajeitadas, de segurar a maçã no escuro. Me queira bem.
Estou te querendo muito bem neste minuto.

Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas. Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração . Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.


Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo."

(Fragmentos de C.F.A.)










Quão estranhos nós éramos...

Acreditando que o NADA que tínhamos,

Era TUDO que podíamos ter...

[E pra ele...eu disse SIM...]

*


.:.POr não estarem mais distraídos...

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"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos,
a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta:
eles respiravam de antemão o ar que estava à frente,
e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras
– e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles.
Então a grande dança dos erros.
O cerimonial das palavras desacertadas.
Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira,
ela que, estava ali, no entanto.
No entanto ele que estava ali.
Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas,
e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso.
Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos.
Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham.
Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
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[Por te falar, eu te assustarei e te perderei?
Mas se eu não falasse eu me perderei, e por me perder... eu te perderia...]
*

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tudo de novo



[Mas nada de novo]


Aquele peito contido num vazio tão conhecido

O silêncio torto,reticências mudas
dos meus versos inacabados.

Lágrima que se mistura no trago do meu cigarro
num olhar agora atravessado.

Impressão minha ou dormíamos de mãos dadas?
Você estava ali,não estava?

De nós restou apenas essa coragem covarde
De seres demasiadamente humanos.

Mas porque não ouviu meus pensamentos enquanto eu dizia:
"Vai...vai que eu vou atras sem largar tua mão..."

Há tanta ansiedade no tempo de esperas.
A esperança parecia tão precisa,de repente,escorreu entre os dedos...

É como querer aprisionar o vácuo.
O tempo dita as regras e a vida precisa seguir seu curso.
Tudo o que invadiu a retina e o coração causaram efeitos.
Não sairamos inteiros.
Não há como!

Há um tudo certo e nada combinado com sensação de eternidade.
É tão delicado andar sobre linhas finas,quando se insiste em brincar de equilibrista.



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["Como um refrão de bolero,eu fui sincero como não se pode ser..."]
*

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

.:. Con[Junções] .:.

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Aqui, do meu terceiro andar sobre o infinito,


à janela para o começo das estrelas,


sinto saudades até do que não foi nada...




["Te pego sorrindo num pensamento...
Faz graça de onde fiz meu achego, meu alento.
E nem ligo...
Como pode, no silêncio, tudo se explicar?"]
*

terça-feira, 20 de outubro de 2009

.:. FoNétiCoS .:.

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Sossega-me.
Diz que não voltas, que posso seguir o meu caminho.
Diz-me aquilo que eu já sei.
Diz na mesma.
Diz-me que valeu a pena, que não te esqueces, mas só isso.
Diz-me que é impossível, descabido, surreal.
Que é só na minha cabeça que a esperança se acumula.
Os dias estavam mais que contados, não estavam?
Não havia qualquer salvação.
Diz-me que não.
Eu sei, mas diz.
Diz-me qualquer coisa.

Sossega-me.
Diz-me coisas boas.
Diz-me aquilo que eu já sei.
Diz.
Diz na mesma.
Diz que vale(u) a pena.
Diz-me que não é em vão.
Que já tenho um lugar só meu.
Sossega-me.
Diz-me só que é possível, que não é descabido, que não é só na minha cabeça que a esperança se acumula.
Eu sei, mas diz na mesma.
Diz que não me esqueces, que é deste que ficas para sempre.

Sossega-me.
Diz-me qualquer coisa, e não me censures por me sentir assim.
Gosto mais, demais, ainda.
Eu sei.
Não precisas de dizer.
Tens que ir, não te impeço, mas diz qualquer coisa, diz que um dia vais dizer qualquer coisa.

Mente.
Sossega-me.


.


[O que faz ele ser quase um segredo,é ele ser assim tão transparente...]
*

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

.:. Tanto TUDO num quase NADA .:.


"De você sei quase nada.
Pra onde vai...ou porque veio.
Nem mesmo sei qual é a parte da tua estrada no meu caminho.
Será um atalho...ou um desvio?
Um rio raso...Um passo em falso?
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo.
(...)
Noite alta que revele um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada..."


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[Deixa o amanhã dizer...]

terça-feira, 29 de setembro de 2009

.:.(Sobre)voos .:.

...e a vida segue acontecendo nos detalhes...nos desvios...nas surpresas e nas alterações de rota que não são determinadas por você, mas sim por um olhar que antes passava desapercebido, por uma palavra que você não esperava escutar ...e por fim escutou.





Por isso essa manhã vesti meu par de asas tortas, ajeitei as penas, espreguicei e sai pela janela.


Fazia frio e a chuva pesava sobre minhas asas.


Daqui do lado de fora pude ver você dormindo ,meus olhos molhados, a chuva escorrendo pelo meu rosto.
Tão bom te ver dormindo...por isso parei para descansar minhas asas tortas perto de ti hoje...


Ah sim, eu sei que não pode me ver, porque teus olhos estão fechados e tua alma descansa e nem sei se ao menos pensa na minha...mas mesmo assim deixarei umas penas aqui na sua janela...

















[Ao te ver dormindo e pensei que aquele abraço bom era o lado bom da vida.
Mas que para não perdê-lo,eu precisava não tê-lo.

Que irônico isso.]
*

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

.:. Visita de uma Viagem Astral .:.

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Voltei ao quarto.
Retornei ao espaço que me atormentava e que antes me protegia. Retornei ao lugar que se resumia à minha vida.
Fui recebida como se eu nunca houvera partido, contudo sinto-me uma estranha.
Dirijo-me à janela. Ouço um ruído atrás de mim.
O som da porta do cárcere a fechar.
Alguém a fechou. Volto-me e revejo-me.
Sinto-me visitada por mim mesma. Como se me pudesse ver após ter saído do meu corpo.
O seu olhar é gélido. O seu olhar é reprovador. O seu olhar que afinal é o meu olhar...
No violento silêncio das suas palavras, desvendo uma pergunta:

- Agora que voltaste porque partiste?

A perturbação condiciona-me e não consigo responder.
Nem eu própria conheço a resposta. Passados breves segundos respondo:

-Voltei! Apenas sei que regressei.

Sem proferir qualquer palavra, o diálogo flui:

-"Quem parte de um lugar tão pequeno, mesmo que volte, nunca retorna."

-Alguma vez me perdoarás por ter partido?- questiono.

Assinado o ar mistício, ele devolve-me a pergunta:

-De que adianta perdoar se não somos capazes de esquecer?

Sinto-me desprotegida perante a mim própria. Ele vira-me a costas e dirige-se para a porta. Sem me olhar nos olhos continua:

-Perdoar é só um código fonético. Nada mais do que isso. Perdoar é somente uma qualquer palavra. Como todas as outras. Vazia.

Remeto-me ao silêncio. Antes de fechar a porta profere em tom de despedida:
-Perdoa-me se tu o conseguires fazer.

Ouço a porta a fechar-se. A porta está novamente fechada.
Novamente sozinha no quarto...eu pensava:

-"Como é difícil perdoar quem trai a si mesmo..."


.





[E que suas (des)pretensões não cruzem os meus caminhos
Enquanto eu tiver meus olhos fechados no travesseiro...e desarmada]
*

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

:: ExATidãO ::

" ...Como uma segunda pele,um calo,uma casca,uma cápsula protetora..."









[Talvez por isso não se "afastavam"...
nem se "aproximavam" mais.
Vivendo uma espécie de eterno início.]
*

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

.:. VáRias VariáVeis .:.


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Passou pelas minhas curvas sem pedir licença.
Tinha vontade de dizer um pare.
Antes já me olhavas...mas só agora deixei-me olhar por inteira.
Só que vc não notou...

A vaidade sussurrava em seus ouvidos: “vem, vem olhar, vem desejar o que fingias não ver”.
Não adiantava, não enxergava nada além do que queria ou o que julgava saber.
Olhava-me nos olhos, olhar profundo, selvagem...mas de mim só sabias o que eu permitias.

Descobri seu segredo: não queria despertar a sua fera ali.
E sorria inocentemente, mexendo nos meus cabelos, livrando-me de sua visão tão pessoal e particular.

Enquanto se deixava tocar por outra, na sua forma leviana de viver, fui esquecendo pouco a pouco aqueles olhos de descaso e me aprofundava em outros casos, talvez tentando me deixar ser inteira...como vc não viu.
Inteiramente todos os pedaços de mim uma hora se unirão...um a um, sem julgamentos, sem fingimento.
Assim como você não quis.

Podias me sentir agora se quiser e ver que sou muito mais do que era antes.Mesmo que talvez o antes nunca tenha existido,ou não te importe,se for o caso.

Passou pelas minhas curvas mesmo sem me tocar...e mais uma vez sem pedir licença,me tomou inteira.

Em seus olhos estavam o ciúme do tocar dos outros ,mas a fera não havia acordado.
A selvageria não me assustaria, o meu doar era o mesmo, apenas com o gosto à mais daquele pecado consumado que me satisfazia.

Com sua mão em minha barriga, seu sorriso brilhava reluzente, enquanto eu acendia um cigarro. Dessa vez era eu que sorria e nada inocentemente.

Já atreveu-se a dizer-me que não me tocara antes, pois não estava preparado para a sua fera e, que não saberia domá-la sem enjaulá-la.
Fitei-o carinhosamente e beijei-lhe sua testa, adormeceu.

Note-me, enxergue-me, devore-me.

Pobre homem, mal ele sabia que na verdade era ele que nunca esteve preparado para uma mulher como eu, porque ao contrário dele a minha fera nunca havia sido domada.
Dome-me, se puder.


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[É que me deu um medo de me espalhar pelo mundo e nunca mais ser tua...]
*

domingo, 20 de setembro de 2009

.:. AgaiN .:.


" Deixa assim ficar subtendido...como uma idéia que existe na cabeça e não tem a menor intenção de acontecer..."











[ Outro.Como todos os outros]
*

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

:: RegoGitando ::




Eu não queria que vc soubesse que eu acabei apenas desenhando esses dois riscos nos meus punhos,sem coragem de pesar a mão sobre os meus braços e fazer cortes mais profundos.
Eu não quero que vc saiba que esses olhos vermelhos foi de chorar,escondida no banheiro,sufocando meus soluções com as mãos,sentada sobre o chão gelado,evitando o espelho pra não ver a minha cara com maquiagem borrada e lápis preto escorrido pelo rosto,como lágrima negra até o queixo...enquanto eu sorria mesmo sem querer.
Você não deveria saber que mesmo assim,sem forças,eu joguei aquelas flores mortas no vaso e saí pra comprar um dúzia de novas.E que na volta,arranquei as sandálias e acelerei descalça e querendo jogar o carro contra o poste e contra tudo que me empatava de ter uma melhor visão à minha frente e contra um monte de coisa que eu vi pelo meu caminho...
Eu não queria que vc soubesse que qndo eu fui embora daquela cidade,eu voltei rouca de passar a tarde toda gritando com a cabeça enfiada no travesseiro fazendo as voz sumir aos poucos...e que quebrei um copo na parede da sala...manchando aquele bege,cor de nada,com o vermelho resto de vinho.
Só pra vc não saber ,que eu saí no meio da chuva,pisando poças e parando sob as goteiras e pedindo que um raio me acertasse,para que eu entendesse que só sobrevive os que são fortes..
Eu achei que achava que vc não deveria saber um monte de coisas antes de te deixar...que eu subitamente burra mandei trocar a fechadura da porta enquanto vc dormia.Mas acho que vc deveria saber que com essa chave vc não pode ir embora...que ela não serve mais pra nada.
Parece que agora vc só pode sair daqui se for por essa janela.
Pulando...
Assim como eu.



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[Aquela cidade que chamam de ilha...ainda faz ilha sobre mim]

:: Qndo Eu Crescer [?] ::


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Ainda vou encher os vazios com minhas peraltagens...
E algumas pessoas ainda vão me amar por meus despropósitos...

.









[E que o talvez torne a vida um pouco mais atraente...]

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

:: Transbordei ::


Com se houvesse enchente de você agora alastrada em mim.
Dentre os pensamentos, molhando a emoção...
Derrubando paredes, inundando a razão.
Fecho os olhos para mergulhar em suas águas e lá no fundo te tocar...
Andei dispensando botes, remos e bóias.


[Quero mais é me afogar.]
*

:: Das Perdas e Afins ::


Eu já perdi tantas chaves ao longo do tempo.
Tantas canetas, pulseiras, horas,cadernos cheios de anotações, óculos, celular, tênis, milhões de idéias que esqueci de anotar...
O momento certo de dizer...o momento certo de calar...dinheiro, cheques em branco, incontáveis oportunidades (algumas profundamente significativas), o brinco predileto, cd´s, livros, o medo de me expor, prendedores de cabelo, fotografia, carta, respiração...
Tantas horas do dia dedicadas a nada pra fazer, amor, pessoas, postura, juízo, senso, noção de tempo, razão...
Engraçado, não parecia haver nada que eu não fosse capaz de perder...




[E qnto mais me perdem...mais eu sinto que estou ainda mais próxima do que pra mim é essencial...]



*



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Deixe que pensem...que digam...que falem...

(...e deixa isso pra lá...e vem pra cá..." )






Você é uma mulher efusiva,Disse-lhe.
Acrescentando ainda mais:
Você é uma mulher De cara lavada,
Porque não consegue esconder o que é.
E o teu jogo
É justamente Não fazer jogo algum.
E ela, cá,cá com seus botões, pensava:
Essa efusão Que agora vem de ti
É essa misteriosa fatalidade
De estar atravancado na minha trajetória cósmica,
De tal sorte que,Cedo ou tarde,
Você surge no meu caminhar,
Como um estigma...
A cada ciclo vital que recomeças.
.




[Quando os laços inevitáveis transformam-se em nós...]
*

.:. SepultaMento .:.




.

Dentre tantas perdas ,
coisas importantes consegui resguardar.
Esse meu direito inquestionável
De te lembrar quando quero, quando devo...
De te manter nos arquivos ,
Conservar inteiras as imagens ,
Sentir o sabor salgado de uma lágrima Que me remete ao gosto do teu suor...

Mesmo sem te ver,vejo-te sempre nessa inteirice imponente ...
Mesmo distante de mim enxergo cada limite
Sem que se emane um único não da tua boca...

Sinto o teu cheiro Ainda que eu mantenha tampado o perfume. Estás aqui Ao lado Na frente Ou em cima de mim...
Não perdi o gosto das palavras que verso em ti
De tantas quase-canções que te componho
Das palavras mortas que fizeram nosso vocabulário

Rendo-me ao tempo.
Mais uma vez...

Passado e presente em mim se confundem
E turvam a vista do amanhã.
Quase tudo se perdeu
Em nós De nós...
Mas em mim está quase tudo aqui
Não vejo
Não tenho
Não posso
Nem sei se quero...

Ignoro os lúcidos racionais aqueles bravos, que jamais sofreram por uma distancia...
E lançam os seus discursos Com intenção falida de ser borracha
Sobre nosso texto esculpido...nosso corpo tatuado Que não sai.
Assim guardo
Lembro
Canto
Escrevo
E sinto, assim eu queira,
Basta que eu abra a porta.



.

[ De concreto só me restou essa última fotografia e o meu all star surrado]
*

domingo, 13 de setembro de 2009

:: Star Wars ::

"Para que percorres o céu inutilmente a procura de tua estrela? Põe-na lá".






[Uma estrela pisca.
Eu pisco e penso.

Que pena...se só piscasse Poderia ser estrela ...]
*

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

:: Bem aventuranças::

(...) Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro.
Eu nunca vou entender porque você podia ser exatamente o que eu quero, eu sei que eu poderia sim,ser exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais...
Mas aí, mais uns dias....e você me liga...eu sabia que você ia me ligar. Querendo tomar aquele café de sempre,a companhia de sempre...E nos queremos...querendo nos esconder como sempre, querendo nos ter só enquanto pudermos vulgarizar o amor. Nos querendo no escuro. E eu vou sempre topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou por não nos darmos valor...ou simplesmente por não tenha nada melhor pra fazer.
Apenas porque você me lembra o mistério da vida.
Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo...








.






[Ela fingia esperar...Enquanto ele a olhava com aquela cara banal de "me espera só mais um pouquinho". Querendo a congelar enquanto ele confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que ela. E sempre voltava.Sempre volta...]


*

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

:: VáRiaS VaRiáVeiS ::



.

Nada lhe posso dar que não exista em você mesmo.
Eu não podia abrir-lhe outro mundo além daquele que há em sua alma.
Nada lhe posso dar, a não ser a oportunidade...o impulso, a chave.
Eu tentava ajudar a tornar visível o seu mundo.
E aquilo era tudo...

.








[A maquiagem tinha custado cara demais para eu ir dormir antes de borrá-la...]
*

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

:: Descobertas ::

[ dela que agora brinca de casinha]











1º Comidas não brotam na geladeira.
2º Acreditem!Copos sujos se multiplicam na louça.Assim como elas também não se lavam sozinhas se vc deixar de um dia para o outro.
3º Você aprende a chamar sua antiga casa de "casa dos meus pais".
4º Nissim Miojo e o microondas DEFINITIVAMENTE são as invenções do século.
5º Peça seu almoço no Delivery antes de sentir fome,senão vc passa horas pensando nas crianças da Etiópia.
6º Pão,queijo e presunto não são mais tão gostosos assim como vc pensava.Assim como a lasanha da perdigão também não.
7º O maldito lixo ainda não aprendeu o caminho do lixeiro.E caso vc o esqueça,não te preocupas que ele da um jeito de vc não esquecer dele.Pode experimentar!
8º Num dia de ressaca,a comida da sua casa...ops...a da casa dos seus pais...ainda é melhor do que qualquer restaurante.
9º As vassouras deverão ser usadas na mesma frequencia que vc lava os cabelos.
10º Amigos que cozinham são sempre bem vindos!Aqueles que trazem uma marmita pra vc de casa, também!
11º O vizinho sarado e malhado vem deixar sua correspondencia que chegou no apt dele por engano...e isso não acontece apenas nos filmes de (comédia)romântica Hollwoodianos,não.
12º Seu pai tinha sempre razão quando brigava por vc desperdiçar tanta energia.
13º Sua mãe estava certa!Vc gastava dinheiro com muitas besteiras.
14º Sabonetes duram apenas 15 dias!Tô passada com isso!
15º Roupas não são descartáveis...vc terá que mandar lavar(ou lavá-las...ai!) se ainda quiser usá-las novamente.POis elas não aparecem lavadas,passadas,dobradas e guardadas no seu guarda-roupa.
16º Você é uma ótima companhia para você mesma.Mas ainda assim ,a conta do seu celular virá alta,meu bem.
17º Seja cortês com seus vizinhos.Afinal eles só querem matar a curiosidade de tudo que acontece no seu apê.
18º Meu pai ainda é o melhor e mais eficiente mecânico, eletricista,encanador,bombeiro,carregador de pesos pesados,arquiteto,engenheiro,pintor...enfim,tudo aquilo que só ele sabe desvendar num simples piscar de olhos...enquanto qualquer mulher se descabela!
19º Seus irmãos são as lembranças mais doces da sua infância.E vc sentirá falta até de brigar com eles e depois ficar de boa como se nada tivesse acontecido.

20 º Colo de papai e mamãe é o melhor analgésico que existe.

.





[ Apenas uma crianças com contas de gente grande a pagar.]
*

[ Box ]


Andei construindo vontades...onde minha fome era ventania.
Basta abrir a porta da frente e perceber que ainda estou na mesma caixinha que ele me colocou (ainda com invólucro de “Cuidado!Este lado para cima.”)
Construo então pequenas saídas...passagens secretas...pergaminhos densos por onde meus pés vão traçando caminhos para longe dele.Longe,bem longe dele e do que essa falta simboliza nessa tempestade.
Tentativas inúteis.
Ele acaba me encontrando quando de propósito cria esquinas em minhas fugas.(O secreto anda hábil em desvendar meus tesouros).
Uma espécie de omeleteria que descompassa as idéias e absorve pequenas coisas.E eu disse a ele que meu mapa continha pequenos vácuos e ilusões de ótica...e ainda assim ele acreditou que o toque era a promessa mais ousada daquele domingo de agosto.
Às favas com a pronúncia sempre tão correta e justinha nos lábios do nome dele.Não me mereço.Nem os favores,nem o cumprimento,nem a saudação de bons ventos.Quero tempestade no meu vestido e o roncar de um vento impetuoso a trazer-me boas notícias empacotadas com um laço lilás indescritível.
Tive-o em minhas mãos,no limite do meu nariz,onde todos os seus odores eram escapes para uma dor insuportável que eu chamava de vontade. E essa vontade era nominal ao invisível, (comparsa de todas as fugas).E o neguei em tantas vezes em meus delírios febris.Por tantas vezes antes que o galo anunciasse o dia,eu o neguei,cuspi sobre a face do tempo e conclui: o ontem é um copo sujo sobre a pia da cozinha em um dia de falta de d’agua e vontades.
E ainda no desenho que me marco,tenho imprimido guerras e desbravo conflitos,e ainda assim o meu discurso é de mais quimeras.
Onde me culpo se enfrento os moinhos e desbravo fantasmas?Estou eterna e limpa onde o que me finjo é a cor escarlate do meu batom e o rebu das unhas...tecendo mistérios e entrelinhas.
Quando ele muda o tom,remete-me a um passado torto...Como aquele da caixinha de música...e põe-me bailarina a rodopiar sozinha...numa caixinha de música que eu escuto sozinha...
Ele conhece a música,mas não lembra as dores que me causa quando fica estático ao meu lado...e me deixa sozinha a rodopiar na caixinha em sua mesa.(Mas é mesa é fria...e o som que canto na caixinha era um pedido de vontades imensas de dias não vividos.
Reclamo dele.A música tornara inaudível aos seus ouvidos.Reviro a caixa,finjo engano quando toca o telefone.Eu queria mesmo era o hálito quente em minhas veias e o brilho do verbo como verniz das minhas vontades.Nada disso mais me encolhe,pois o que é beco, não tem saída e nem tem parte com essa história.






[E eu continuarei a rodopiar...sozinha...sozinha...nessa caixinha de musicas]

terça-feira, 1 de setembro de 2009

.:. Ma prière chaque jour .:.

Orar toda as noites antes de dormir.
[E esquecer tudo que vai...]
.
.
.
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(-NO RIEN DE RIEN- Linda...linda música de Edith Piaf]


*

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

.:.LunáTica.:.


...Acho que me perdi numa excursão que fiz pra Lua.








[Ou numa excursão que fiz na tua certeza e na contradição...]
*










domingo, 9 de agosto de 2009

.:. Diário de bordo.:.

[que eles chamariam de : Lições nossa de cada dia]


.

Talvez a maior lição do mar seja os seus sopros severos e ocasionalmente,
a chance de se sentir forte.
Eu não sei muito sobre o mar,mas eu sei que o caminho é por aqui.
E também sei o quanto é importante na vida não necessariamente ser forte,
mas se sentir forte, Se avaliar uma vez na vida...
Se encontrar pelo menos uma vez na mais antiga condição humana...encarando a cegueira, ficando surdo...
Com nada pra te ajudar além de suas mãos e sua própria cabeça...










[Chorou baixinho agarrando o travesseiro...como se nem ela nem Deus pudessem ouvi-la...]



*

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

.:. Acerto de contas.:.

Deixei que tomasses o teu lugar em mim, aquele que tantas vezes me neguei.
Aquele que tantas vezes te neguei. Nos negamos.
Nos encontrávamos e nos perdíamos.Hoje,nos achamos.
Foram tantas os que por mim passaram, foram tantas os que por mim quis que ficassem. Mas apenas tu aconteceste em mim.
Apenas tu que apagaste presenças do passado e que me lês silenciosamente nesta sucessão de palavras desavindas.
Aconteceste em mim.
Deste nome a todas as minhas palavras e conquistas-me sempre que me olhas nos olhos e me pedes um beijo.
E nesse momento aconteces em mim, porque sei que sou tua e tu também me pertences neste jogo de bocas que se encontram.
Aconteces em mim sempre que nomeias cada um dos meus silêncios, porque podes ser tu.
Ou não.
Mas para quê falar de futuros se é o presente que temos em mãos? E neste presente trago-te em mim, aconchego-te no meu peito e procuro a tua boca para te segredar que cada vez mais aconteces em mim.


.
.
.

["Nada desvia o destino...e ainda há tanto a aprender..."]

domingo, 26 de julho de 2009

.:Conversas de Espelhos.:




-Eu quero que você me diga: O que é isso q eles chamam de amar? Você sabe?
-Eu acredito que o sentimento é sempre certo, sempre.
-Mas como? Como saber que ele é o que se acha?
-Eu mudo tanto de idéia, o tempo todo. Se você achar, é porque ele é.
-Não é tão simples assim. Eu já mudei antes, você nao veio comigo, ou talvez tenha vindo. Existe um pouco de você em mim, um pedaço podre, um pedaço doce. Um meio inteiro que eu nao gosto quando provo. Eu tenho medo e, às vezes, eu nao quero mais ter você. Eu fico pensando que amanhã você acorda e nao quer mais isso. Eu não suportaria. Todos os dias eu acabo e volto, sem você suspeitar. Todos os dias eu abro mão de você.
-Absurdo isso, você sabe! Abrir mão de mim pelos 50% de chance do que existe em me acabar.
-Não é um absurdo! Eu costumo sofrer, sou eu. Eu acho que é meu jeito de nao voar. Meu jeito disso nao ser amor. Meu jeito. OK, é um absurdo.
- Teu jeito é injusto com a gente.
-Meu jeito me faz perder você em mim a cada dia. O "você" dentro de mim me dói.
-É o que você quer? criar um novo "eu" que te faz mal, me tendo aqui, ao teu lado?
-Não, eu nao quero. Eu não me encontro apaixonada por alguém. Eu preciso disso, mas eu me sinto idiota falando algo idiota como "eu te amo".
-Meu bem, eu estou aqui. Eu gostaria que vc me visse. Eu gostaria que você me sentisse. Me veja, eu não sou uma criação sua. Me aceite.
- É que eu percebo que pensar em nao dizer já é pensar e é só um jeito de você não saber, porque eu não quero que você diga. Eu não quero que você minta e isso vire uma mentira. É o que a gente faz, nao é? Quando acaba, a gente finge que nunca existiu.

-Não coloque nomes, se não quiser.

-O meu ja coração doeu, mas eu nao achei que fosse morrer, mas dores no peito nao se relacionam ao coração, não fisicamente. A minha dor era diferente. Era...era uma resposta. Uma resposta pro que ele disse segundos depois...

-É que você fica linda nua, mas seus olhos negros brilhando nessa meia luz me engolem o mundo. Se isso for amar...

-Um dia isso acaba, mas palavras certas em momentos certos são o tipo de coisa que fazem dos sentimentos certezas nas dúvidas.




[Eu precisava entender...mais que isso, eu queria.]
.

terça-feira, 14 de julho de 2009

.:Doce Guará:.



















Calço a consciência
Com chinelos surrados.
Desafrouxo os cintos apertados,
Deixo os pés descalços simplesmente...
Ainda que por um evaporável instante
Do meu caminhar errante.




*

terça-feira, 7 de julho de 2009

.:.Dos intervalos.:.[Entre o dia após o outro]



"Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado.
Quero inventar o meu próprio pecado,
Quero morrer do meu próprio veneno...

Quero perder de vez tua cabeça,
Minha cabeça perder teu juízo.
Quero cheirar fumaça de óleo diesel,
Me embriagar até que alguém me esqueça..."






[Eu quero ficar aqui...onde está constantemente amanhecendo...]

*

quarta-feira, 1 de julho de 2009

::Pontos nos is::

.
E então...sem saber o que dizer. Não, não é verdade.
Sem saber poder dizer o que quer fazer.
Então te escrevo coisas e te canto músicas na minha cabeça...E espero. Devo esperar.Mesmo que o que sempre nos sobre seja o inevitável: o fim .
Porque a gente sabe como acaba , só não sabe quando.
(Por falta de coragem ou por confusão)Não sei. Tu também não saberás.Mas tu me bagunça.E fico assim, confundido as palavras. Distraindo o que há por vir. Distraindo o distante, o ausente.
Te vejo sempre mesmo de longe e de longe bem de longe sinto como é o de perto bem de perto.Porque esse eu já conheço bem.É so imaginar. E só.
Imaginar e te ouvir de longe.As vezes parece tão perto que me permito nos ver lá , na curva,nas estradas,no meu quarto que parece nosso.Mas a curva é distante. Ainda é preciso muito andar, precisa muita coragem.
Desapego.Desapego?Não não é bem isso.A palavra é outra.
É preciso permitir.Desconstruir para poder construir algo maior, mais forte. Mas temos medo.Não podemos.Medo de desconstruir e de repente não conseguir ser igual. (e não vamos conseguir)Porque não pode ser igual, não.Não te culpo.Nem a mim mesma me culpo.
Não existe a culpa. existe essa coisa, essa moral, essa falsa preocupação com o outro, essa coisa toda de não- é- certo- isso- melhor- parar- para- não- machucar- mais- ninguém. e assim nos machucamos e nos acomodamos e não nos permitimos mais nada além disso que já conhecemos. Medo do incerto, (que clichê mais besta).
Não eu não quero isso, não quero acomodar e fechar os olhos para as inúmeras possibilidades.E não fecharei meus olhos para você. Eu não. Se tu quiser que feche os seus.


*

::Sempre soubeste::


No fundo tu sabias que eu poderia cair a qualquer momento.
Eu nunca quis admitir que o limite estava tão próximo e que a minha suficiência era limitada.
E tu?
Tu estavas no encontro da disponibilidade sincera com o silêncio e eu não soube dissolver as fronteiras e não corri para teus braços, mesmo sabendo que não os fechavas.
E isso magoa-me mais do que imaginas. Sabias que o passado jamais se mantém enclausurado em simetrias, assim como sabias que eu sou muito mais do que mostro.
E eu fechei os olhos para não ver os trapézios demasiado assimétricos de recordações que tu sabias existirem, nesta falsa segurança transparente que me vai aconchegando.
Sabias que inevitavelmente eu me perderia em refúgios ás palavras e aos sentimentos, sabias que isso me conduziria a um caminho sem retorno e mesmo assim jamais deixei que as tuas palavras me gritassem por dentro e se organizassem em correntes irrefutáveis da tua presença em mim.
Porque não me basto, porque silencio apelos... porque me faltas e dói saber isso.
Sabias que eu ia cair e eu caí, contudo tu estavas lá para me limpar as lágrimas que não chorei e para me estender a mão que eu jamais ousei pedir.
E jamais pediria.
*

sexta-feira, 26 de junho de 2009

::(pre)Destinado(?)::


Há alguns dias, Deus - ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus -, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor.
Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor.
E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer - eu já estava lá dentro.
E estar dentro daquilo era bom...muito bom.
- C. F. A. -





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Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim
.





[" Te amando devagar e urgentemente..."]
*

quarta-feira, 24 de junho de 2009

::Casualmente Inesperado::



"VOCÊ CRESCEU EM MIM DE UM JEITO COMPLETAMENTE INSUSPEITADO,

ASSIM COMO SE VOCÊ FOSSE APENAS UMA SEMENTE E EU PLANTASSE VOCÊ ESPERANDO VER UMA PLANTINHA QUALQUER, PEQUENA, RALA, UMA AVENCA, TALVEZ SAMAMBAIA, NO MÁXIMO UMA ROSEIRA...

(...)ESPERAVA DE VOCÊ APENAS COISAS ASSIM, AVENCA, SAMAMBAIA, ROSEIRA,

MAS NUNCA, EM NENHUM MOMENTO ESSA COISA ENORME QUE ME OBRIGOU A ABRIR TODAS AS JANELAS, E DEPOIS AS PORTAS, E POUCO A POUCO DERRUBAR TODAS AS PAREDES E ARRANCAR O TELHADO PARA QUE VOCÊ CRESCESSE LIVREMENTE.."

- C.F.A. -


.

Qndo se vais...leva qualquer coisa como uma música tocando ao fundo.
Como a chuva caindo de madrugada apagando o seu rastro ainda tão recente...

Qndo estás,traz qualquer coisa como um suspiro inesperadoou uma vontade de dizer o que não se sabe dizer.
Qualquer coisa como sentir junto mesmo qndo distantes.

Fecho os olhos e me vejo nos teus olhos enluarados e me rouba a melhor gargalhada e depois me aperta forte...e me beija num sincretismo suave de desejos.

Qndo se vais...durmo de novo para tentar continuar o sonho.
Qualquer coisa como sentir e não saber o que é ... de onde vem ... onde está ...para onde irá...

Qndo se vais ,o vejo descendo as escadas e julgo isso que cresce dentro de mim e eu não ouso dar nome...inundando pensamentos e alegrias e sonos e sonhos e vontades e quereres ...
E você...

.


[Como se fosse todo dia...? ]
*

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Porque hoje...é teu dia.


A.,

Eu sei que achas que tenho o meu coração ocupado por centenas de pessoas e que o espaço que tu ocupas nele é igual ao de outros tantos – mínimo.

Mesmo assim, eu quero que saibas isto: és tudo de bom que se pode desejar.

A minha vida corre, tropeça, anda às cambalhotas e, volta e meia, estagna.
Quando olho para a tua, vejo-a sempre igual: sempre diferente na caminhada, ao ritmo do costume. Nada de pressas, nada de exageros e tudo ao mesmo tempo.Sempre imprevisível e de malas prontas.
Não sei se é bom ou se é mau, a mim parece-me... não tanto equilibrado.Mas isto para me fazer ver que, durante todas estas minhas fases, nunca desapareces.

Quando tinha os joelhos sujos de tanto rastejar ou o sorriso iluminado de tantas vezes chegar ao céu, bastava-me olhar para o lado, e estavas sempre por perto.

Pela primeira vez, resolveste esconder-te...e dar-me o xeque-mate.Eu entendo essa dor, a de ter o coração todo embrulhado e com uns quantos nós (quem me dera não ser eu a responsável por tal agonia...). Resta-me compreender, esperar e aceitar as tuas decisões.

Se estivesses mais ao meu alcance, hoje íriamo-nos rir até as estrelas nos caírem nos olhos. Sonhamos tanto com este dia...

Tu dizias que estavas farto de ter de dirigir sempre para todo o lado, enquanto eu ria e metia os braços para fora da janela.
Subíamos e descíamos serras, por estradas desertas, a cantarolar as nossas músicas.
Às vezes, paravas o carro e saímos para ver a paisagem.
Era sempre tão bom...Hoje, apesar de não te ver, sei que estás aí.

Queria ter o teu abraço e poder dizer-te, de sorriso rasgado, que na próxima viagem, já sou eu que levo o carro. Como não posso, vou escrevê-lo na tua parede, e esperar que apareças para ler.
Pode ser presunção minha, mas acredito, o mais forte que sei, que vais acabar por aparecer.
Tu, logo tu... que cheiras tão a verde e a música.
Eu nunca conheci ninguém tão música como tu; sentia que tu oferecias claves de sol às pedras, às árvores, aos candeeiros da rua, às nuvens e ao Sol.
E, por outro lado, bastava dar-te uma caneta para a mão, que pintavas o mundo todo num simples guardanapo.
Confesso que tenho saudades que me pintes jardins nas mãos ou em folhas de papel. Que me apertes as bochechas, me despenteies e me gozes, por algum do meu estranho vocabulário e sotaque.

Saudades que digas 'tu és uma menina, Livinha..', e de esticar o braço e poder alcançar-te.

Poderia enumerar centenas de coisas que me aborrecem em ti, mas seria desnecessário: você,apesar de todos os defeitos, continuo a amar como parte de nós que vagueia por aí.
E tu és aquele que sempre me deixa sem argumentos...e me pega no contra ataque.

Se eu pudesse escolher, entregava esse Amor que me deste a alguém melhor. Fazia-te forte, porque as circunstâncias me ensinaram que a força interior é vital.

Eu pingaria estrelas no teu olho todas as noites,só para ver-te sorrir...

Porque gosto de ti, tão simples como isso, e te quero bem.Sempre...

[Porque hoje é teu dia.Porque tu tens a mim e amanhã tem Sol]
N.E.O.Q.A.V.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

::Tudojunto e Sepa-rado ::


De vez em quando ela resolve parar...
Ensaia os sorrisos do fim de semana, as gargalhadas do meio-dia, mãos quentes, peito frio e deixa o mundo um tanto mais tranqüilo só de vê-la dançar entre as luzes coloridas do fim de noite.
Ela poderia guardar dentro de potes coloridos todas as passagens com destino ao país das maravilhas que ele entregara tantas vezes, deixar tudo trancado e intocável, mas não.
Queria repetir quantas vezes o tempo permitisse. Talvez quisesse repetir um sonho que só ela conhece.
Ela que desconhece o que é ser despedaçada por ele, que reconhece o que é estar desmanchada, toda juntinha e derretida no chão.
A menina visita o mesmo país todos os dias. E lembra de como era ter bonecas pra ser invencível na brincadeira...
Ela adorava os livros mágicos, porque quando virava a página trombava com o final feliz.
Foi só fechar os olhos e realizar o tempo, então o sorriso tímido foi se tornando largo e firme, porque é exatamente assim que as letras sempre pedem que ele permaneça, inabalável...
Ela lê as mesmas bagunças todos os dias, e respira os suspiros de confusão que passaram a fazer parte daquela sensação inexplicável. Uma coisa que não sabe ser nada além de amor. Amor além do convencional, dos que não se explicam com frases feitas. Um desses que por acaso ela nunca tenha experimentado.
De vez em quando ela resolve voltar a sofrer, de vez quem em quando ela resolve virar uma que ainda não existiu, de vez em quando divagar, de vez em quando desistir de ser confusa.
A menina deu um tapa na loucura, sossegou o coração e olhou os potes coloridos de cara feia. Todas as suas angústias foram passear e só vão voltar quando ela tiver dois olhos no caminho, provavelmente encharcados de saudade e soluços...


.

[Como vc me doi nas noites de chuvas...]

:: ReTicenciaS ::


.

Talvez seja na beira de um sonho que o mundo acaba, eu não sei.

Talvez não acabe e vire coisa diversa, como quando a gente fecha os olhos e descobre uma esquina no canto das pálpebras.É ali que tudo começa mesmo quando termina e cada chance laceia a vida pelos ombros como quem diz “fica, que eu vou cantar pra te fazer dormir enquanto lá fora ainda faz frio, deita aqui”.

Talvez, e só talvez, haja pintado em alto-relevo sobre a palma da nossa mão, um instante onde viver não sangre...e seja leve carregar nas costas cada pequena fome de amor, e aquele destino parado diante do portão de casa, aquele que um dia foi possível, ainda esteja lá à tua espera, e quem sabe à minha espera, em silêncio, deitando os olhos sobre o ruído das palavras caídas sobre o meu tapete.

Eu queria, sim, voltar no tempo e quem sabe cruzar contigo no meio da rua, e te convidar para um café num dia frio e adocicado como aquele do primeiro inverno em que nevou flores...Eu guardo ainda algumas pétalas entre as páginas do livro que nunca escrevi. Eu guardo, ainda, mas é um passo em falso quem me leva para casa, onde fica o nosso lugar...

Eu me lembro e não alcanço mais.

Talvez seja na beirada de um sonho que o mundo acaba; talvez, e só talvez, não acabe e vire coisa diversa e se incorpore no corpo feito cicatriz...

Volátil imprecisão é o destino....

Eu só preciso aconchegar os pés um pouco mais nessa certeza enevoada que saber demais é desvantagem, e quem sabe o mundo não acabe e sim comece quando a gente abre os braços e enfim se atira.



[Eu aprendi a me equilibrar quando perdi as minhas asas.]

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Apesar dos pesares...


ERA UMA VEZ UM AMOR TÃO GRANDE,
MAS TÃO GRANDE,QUE EXPLODIU...
AÍ FICOU CADA QUAL PARA O SEU LADO,
CATANDO OS PEDACINHOS PARA VER
SE NASCIA PELO MENOS UM AMORZINHO NOVO.






Amei do jeito que acreditava ser o mais verdadeiro.
Amei pontualmente.
Sem pressa...
Com serenidade e inteiramente.
Amei na pálida esperança de que amar resolve.
Amei para combater a própria covardia que reside em nós – em todos nós – e nos impede de tentarmos manter relações com os afetos abertos(ou distantes).

Amei com toda força, com todo o amor que havia, escancaradamente, pra que não sobrasse amor nenhum.






[Amei na frágil esperança de que amar resolve.]



*